IMAGEM
És como um lírio alvo e franzino,
Nascido ao pôr do sol, À beira d'água,
Numa paisagem erma onde cantava um sino
A de nascer inconsolável mágoa.
A vida é amarga. O amor, um pobre gozo...
Hás de amar e sofrer incompreendido,
Triste lírio franzino, inquieto, ansioso,
Frágil e dolorido...
RONDÓ DOS CAVALINHOS
Os cavalinhos correndo,
E nós,
cavalões, comendo...
Tua beleza, Esmeralda,
Acabou me enlouquecendo.
Os
cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora,
E em
minhalma — anoitecendo!
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Alfonso Reyes partindo,
E tanta gente ficando...
Os cavalinhos correndo,
E nós,
cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...
Os cavalinhos
correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando, Nossa!
A poesia
morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minhalma
— anoitecendo!
A MINHA IRMÃ
Depois que a dor, depois que a desventura
Caiu sobre o meu peito angustiado,
Sempre te vi, solícita, a meu lado,
Cheia de amor e cheia de ternura.
É que em teu coração ainda perdura,
Entre doces lembranças conservado,
Aquele afeto simples e sagrado
De nossa infância, ó meiga criatura.
Por isso aqui minh'alma te abençoa:
Tu foste a voz compadecida e boa
Que no meu desalento me susteve.
Por isso eu te amo e, na miséria minha,
Suplico aos céus que a mão de Deus te leve
E te faça feliz, minha irmãzinha...