A obra é composta de
163 episódios numerados, tendo João Miramar como personagem central. O
"enredo" parte da infância de Miramar. Ainda adolescente, faz sua
primeira viagem à Europa, a bordo do navio Marta. Nesse ponto, o romance assume
a forma de diário de viagem. Quando sua mãe falece, Miramar retorna ao Brasil.
Casa-se com Célia, sua prima, sem romper, contudo, um romance com a atriz
Rocambola, o que causa um futuro desquite. No final da narrativa, o herói fica
viúvo, é abandonado pela amante e vai à falência, por má administração de seus
bens. O estilo do livro é telegráfico e sintético, o que faz seus episódios se
assemelharem a cenas cinematográficas.
Memórias sentimentais de João Miramar
Cap - 66. Botafogo etc.
Beira marávamos em auto pelo espelho de aliguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeira nacionalizavam o verde dos monte interiores. No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
[...]
Cap - 75. Natal
Minha sogra virou avó.
[...]
Cap - 129. Ato III. Cena I
Na preguiça solar da mesma sala grande onde fôramos felizes casais, Célia e a cadeira de balanço choravam como um tango. - Já viu sua filha como está grandinha? - Já. - Nem se importa mais com ela. Ela teve sarampo e gripe. Quase ficou com o olho torto. (Um silêncio cheio de moscas.) Diga a verdade! Recebi uma carta anônima contando tudo. Não há nada mais triste do que ser enganada. Você está apaixonado por essa atriz, Joãozinho! Conte tudo. Acho você envelhecido, preocupado, com cara de viciado, Joãozinho!
[...]
Cap - 149. Verbo crackar
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Abrindo o pala
Pessoal sarado
Oxalá que eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.
Cap - 66. Botafogo etc.
Beira marávamos em auto pelo espelho de aliguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeira nacionalizavam o verde dos monte interiores. No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
[...]
Cap - 75. Natal
Minha sogra virou avó.
[...]
Cap - 129. Ato III. Cena I
Na preguiça solar da mesma sala grande onde fôramos felizes casais, Célia e a cadeira de balanço choravam como um tango. - Já viu sua filha como está grandinha? - Já. - Nem se importa mais com ela. Ela teve sarampo e gripe. Quase ficou com o olho torto. (Um silêncio cheio de moscas.) Diga a verdade! Recebi uma carta anônima contando tudo. Não há nada mais triste do que ser enganada. Você está apaixonado por essa atriz, Joãozinho! Conte tudo. Acho você envelhecido, preocupado, com cara de viciado, Joãozinho!
[...]
Cap - 149. Verbo crackar
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Abrindo o pala
Pessoal sarado
Oxalá que eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.
Pau-brasil
Publicado em Paris em 1925 e ilustrado por Tarsila do Amaral, este livro de poemas
foi o despertar da
consciência de brasilidade em Oswald de Andrade. O nome,
tirado da árvore que foi produto de exportação na época colonial, serviu para
designar uma "poesia de exportação". Trata-se de uma proposta de
escrever poeticamente a história do Brasil. Assim, Oswald busca textos do
passado e os reescrevem, por meio da técnica da paródia, em linguagem coloquial
e de muito humor.
História do Brasil
Pero Vaz Caminha
A descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
Os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
Primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias Fez o salto real
Tarde de partida
Casas embandeiradas
De janelas
De Lisboa
Terremoto azul
Fixado.
Pero Vaz Caminha
A descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
Os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
Primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias Fez o salto real
Tarde de partida
Casas embandeiradas
De janelas
De Lisboa
Terremoto azul
Fixado.
Poema
Senhor,
Que eu não
Fique nunca
Como esse
Velho inglês
Aí do lado
Que dorme
Numa cadeira
À espera de visitas
Que não vêm.
Que eu não
Fique nunca
Como esse
Velho inglês
Aí do lado
Que dorme
Numa cadeira
À espera de visitas
Que não vêm.

Nenhum comentário:
Postar um comentário