terça-feira, 1 de abril de 2014

Ode a Manuel Bandeira

IMAGEM 

És como um lírio alvo e franzino,
Nascido ao pôr do sol, À beira d'água,
Numa paisagem erma onde cantava um sino
A de nascer inconsolável mágoa.

A vida é amarga. O amor, um pobre gozo...
Hás de amar e sofrer incompreendido,
Triste lírio franzino, inquieto, ansioso,
Frágil e dolorido...

RONDÓ DOS CAVALINHOS 

Os cavalinhos correndo, 
E nós, cavalões, comendo... 
Tua beleza, Esmeralda, 
Acabou me enlouquecendo. 

Os cavalinhos correndo, 
E nós, cavalões, comendo... 
O sol tão claro lá fora, 
E em minhalma — anoitecendo! 

Os cavalinhos correndo, 
E nós, cavalões, comendo... 
Alfonso Reyes partindo, 
E tanta gente ficando... 

Os cavalinhos correndo, 
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso, 
A Europa se avacalhando... 

Os cavalinhos correndo, 
E nós, cavalões, comendo... 
O Brasil politicando, Nossa! 
A poesia morrendo... 
O sol tão claro lá fora, 
O sol tão claro, Esmeralda, 
E em minhalma — anoitecendo!

A MINHA IRMà

Depois que a dor, depois que a desventura
Caiu sobre o meu peito angustiado,
Sempre te vi, solícita, a meu lado,
Cheia de amor e cheia de ternura. 

É que em teu coração ainda perdura,
Entre doces lembranças conservado,
Aquele afeto simples e sagrado
De nossa infância, ó meiga criatura.

Por isso aqui minh'alma te abençoa:
Tu foste a voz compadecida e boa
Que no meu desalento me susteve.

Por isso eu te amo e, na miséria minha,
Suplico aos céus que a mão de Deus te leve
E te faça feliz, minha irmãzinha... 

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